domingo, 17 de março de 2013

A FELICIDADE E A TRANQUILIDADE





Os encontros e desencontros me colocam entre a felicidade e a tranquilidade. Não é a culpa que me segue. Não tenho egoísmo em mim. Não sei conviver com a mentira. Minha estrada é livre, com horizontes visíveis. Vivo no ponto de partida e quero chegar ileso no final. Corro por escadas, atravesso tempestades, vou e venho nos ermos que me afrontam, sem temer os medos. Acredito no destino que eu escolher. Descanso na rotina que me acolher.

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segunda-feira, 4 de março de 2013

SENHOR DE MIM




O tempo não entendeu quando eu pedi piedade. Seguiu o compasso, enquanto o escuro me rodeava, e as rugas me marcavam, e os músculos me abandonavam. Eu só queria vê-lo, senti-lo. O tempo não tem duas caras, não dissimula, julga o mundo sem medir. É impiedosamente justo e sincero. Não foge de sua identidade. Enquanto eu tentava me encontrar, o tempo seguia... senhor de si... senhor de mim.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

LEITURAS




Cruzar os braços é o mesmo que agredir-se, quando todas esperanças estão escapando e ainda estão ao alcance. Não me atrevo a sair daqui sem sonho. Não me permito. Não admito. Quando os elos que orientavam despedaçaram, ressurgiu o homem. Com mortes. Sem perdas. Mil anjos arrastam nuvens e harpas para apagar o incêndio e ensurdecer os demônios. Ouço a canção, me guarda, me embala. E acordo diante das portas que se abriram para as escolhas. Decifro versos forneço gestos golpeio tons. Meu medo não é refrão.

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

CARTA


Acende a luz do quarto, para acordar meu sorriso. 
Fez-se necessidade em meu caminhar, mesmo quando estive em meio a tantos. Desacompanhado aqui e ali, sou eu em mim e nos meus fantasmas. Minha multidão me resgata e força a falência da solidão. Os meus fantasmas se curvam à imponência dessa luz, à certeza de meus passos, à união de nossos sonhos. A saudade é nossa. Harmonia. Cumplicidade. Combinamos vida. E não me perco mais de mim, porque me encontro em você. Você é muito de mim. Você é minha multidão.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

CORES DO BREU


Eu queria ser feliz, mas não abri a porta. Olhei de longe para mim, sem entender quem estava lá. E fui com os mesmos passos que me levam aos gritos, lendo os mesmos textos que me fizeram errar para aqueles que miram os erros. Não entendi os erros e permaneci nos acertos que me guiavam, fechado em mim, longe de mim.

Eu queria sorrir sincero longe de mim, como se os eus não se alimentassem de encantos. Quando as esquinas mostraram novas idas, deixei sonhos no percurso. E a minha timidez impediu que as flores fossem belas, que as noites fossem musas e que o sol fosse luz. Em mim, o mundo não me convence. No outro, o mundo é um parque.

Meu mundo me procura. O mundo me aceita. O sol, a noite, as flores tentam me acarinhar. Eu estou ali em qualquer lugar.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

MÁQUINA VIVA



A insônia é a razão da agonia. As noites oscilam entre o belo e o inferno. As estrelas e os mistérios estão após as portas, por onde só entram as imaginações algozes. O corpo enfraquece e se deixa seduzir pelas dores. O ser, envaidecido por viver e apunhalado por sentir, espera a alvorada.

O trabalho é o descanso da insônia. As mais perversas sombras são vencidas nas lidas diárias. Estou entre ser máquina e ser humano. Humano para sentir, para fazer valer as naturezas, imaginar mundos, ver-se no outro em encantos e desencantos. E a máquina faz funcionar, ser útil aos processos produtivos da sociedade.

Parece até que o humano faz sofrer e a máquina faz viver. Mas a máquina depende desse humano sempre, e o humano deseja a máquina vez ou outra. A insônia é que não cessa e torna a máquina forte.
 
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